Guinchando e rebocando com segurança.
Se você está atolado ou seu 4x4 quebrou em alguma estrada ou trilha, a ajuda sempre é bem vinda. Aqui vão algumas dicas de como rebocar e guinchar com segurança.
GUINCHANDO
- O cabo de aço deve estar sempre bem enrolado no carretel, de maneira uniforme, sem acumular em um dos lados. Se isso ocorrer, solte um pouco o cabo e reinicie a operação. O cabo também deve estar em boas condições, sem farpas, que demonstram que o mesmo sofreu esforço excessivo e podem ocasionar rupturas inesperadas.
- Mantenha o cabo de aço sempre limpo. Após o seu uso, desenrole todo o cabo e lave-o com água com pressão, e depois recolha novamente, mantendo uma certa pressão e cuidando p/ não acumular em um dos lados. Um micro óleo (tipo WD40) vai bem.
- Certifique-se que o controle remoto (no caso do guincho elétrico e hidráulico) esteja dentro do carro e com os contatos limpos. Você não vai gostar de lembra que o controle remoto ficou na garagem atolado numa trilha de difícil acesso. Teste o guincho antes de pegar uma trilha pesada, onde certamente ele será necessário.
- Não use em hipótese alguma o cabo de aço sem o acionamento do guincho, seja p/ rebocar ou puxar outros veículos. Isso acarretará em dano grave (e caro) ao sistema de freio do guincho. Para essas ocasiões utilize uma cinta de nylon, corda ou um cabo reserva.
- Sempre que for utilizar o guincho, procure deixar o cabo numa direção perpendicular ao guincho, ou seja, evite que o cabo faça um ângulo em relação ao guincho. Isso evitará que o cabo se enrole num único lado do carretel, e diminuirá a força aplicada pelo guincho. Quanto maior o ângulo do cabo em relação ao guincho, menor será a força, podendo inclusive danificar o guincho.
- Quando for utilizar o guincho solte a maior quantidade possível de cabo, deixando pelo menos cinco voltas no carretel, pois o que o prende no carretel é a sua própria pressão. Quanto mais cabo no rolo menor a força de tração disponível no guincho.
- Se você tiver um guincho elétrico, após um resgate, não enrole o cabo de volta no carretel, pois isto vai gastar energia que poderá ser necessária mais adiante. Enrole o cabo no pára-choque ou quebra-mato até o final da trilha, e só então, enrole o cabo no carretel.
- Nunca troque o cabo especificado por outro maior ou menor. Isso altera as características do guincho, diminuindo sua vida útil.
- Sempre manuseio o guincho com luvas de couro ou raspa. As farpas podem machucar suas mãos.
- Somente coloque a mão próxima ao rolo do guincho quando o mesmo estiver totalmente parado, e mantenha o controle remoto em seu poder para que ninguém possa acioná-lo. Com o guincho em uso, NUNCA aproxime as mãos do rolo, pois uma farpa pode enroscar na luva ou roupa e puxar suas mãos.
- Sempre utilize um peso na parte central do cabo (um galho, tapete ou um casaco), pois se o cabo arrebentar poderá dar uma “chicotada” atingindo as pessoas ou veículos próximos. Se necessário pode-se levantar o capô do carro p/ evitar do cabo acertar o pára-brisa.
- Nunca opere o guincho próximo ao cabo, e não deixe outras pessoas próximas. Mantenha todas as pessoas em local isolado, onde o cabo não as alcance se houver um acidente.
- Quando utilizar uma árvore com ponto de ancoragem, nunca faça o laço com o cabo de aço, pois irá matar a árvore. Passe uma cinta de nylon larga e depois prenda o cabo de aço. Sempre que ancorar em uma árvore, faça o mesmo o mais próximo da raiz, assim a força da árvore será maior.
- Pontos de ancoragem nos pára-choques costumam romper na hora “H”. Procure prender o cabo sempre no chassis, ou providencie pontos de ancoragem apropriados que agüentem o esforço.
- Se o motor do guincho elétrico aquecer (coloque a mão em cima e conte até 10. Se você suportar o calor, a temperatura ainda não está alta o suficiente p/ queimar o guincho) pare imediatamente e aguarde o resfriamento.
- Ainda falando de guincho elétrico, enquanto estiver utilizando o guincho, deixe o motor funcionando (acelere um pouco) p/ aumentar a carga do alternador. Após a operação, com o guincho já desligado, mantenha o motor funcionando p/ carregar a bateria.
- Em guinchos hidráulicos, monitore a temperatura do óleo. Caso a temperatura suba demais, deixe o guincho descansar até que a temperatura volte ao normal.
REBOCANDO
Existem duas maneiras de se rebocar um veículo, utilizando cintas de nylon ou o cambão (ou tow bar).
Só o cambão é permitido nas estradas brasileiras e do Mercosul, pois possibilita o reboque sem que o veículo quebrado seja freado pelo rebocador.
As cintas devem ser utilizadas em resgate com pouca velocidade e pequenos deslocamentos, como em trilhas, até um local onde possa ser feito o socorro.
Consulte o manual do proprietário a fim de checar se o reboque com as quatro rodas no solo é possível. Na maioria dos casos, desligue as rodas livres e engate a posição neutra da caixa de marchas e de transferência. Alguns 4x4 mais modernos, como A Land Rover Range Rover, por exemplo, tem procedimentos especiais p/ reboque.
REBOCANDO COM CAMBÃO
- Lembre-se que você está rebocando um outro veículo. Diminua a velocidade, pois seu carro ficará com a estabilidade prejudicada e o espaço p/ frenagem será maior, e tome cuidado nas curvas fechadas e ultrapassagens.
- Combine com o motorista do carro quebrado que quando o veículo da frente frear (luz do freio acesa) o carro rebocado também deverá frear, apesar do pedal duro (ele estará sem o sistema de hidrovácuo).
- Sempre que o veículo da frente sinalizar (para ultrapassar, ou para virar p/ os lados) o veículo rebocado deverá fazer o mesmo, para informar os outros veículos. Para isso, o veículo quebrado deve estar com a chave ligada p/ que os piscas e a luz de freio funcionem, e p/ que a direção não trave.
- Não ligue o pisca alerta, pois isto é proibido pelas leis de trânsito. O pisca alerta deve ser utilizado apenas por veículos parados, e não em movimento, e poderá confundir quem vem atrás.
- Mantenha a velocidade constante e faça as trocas de marcha suavemente. Evite os trancos que poderão danificar o seu veículo, visto que ele está fazendo um esforço maior do que o projetado, e o cambão poderá se soltar.
- Tome muito cuidado p/ o cambão não se soltar, ele poderá causar um sério acidente fazendo o papel de “vara” (que nem no salto com vara) enterrando no chão.
COM CINTA
- Lembre-se que a cinta é um acessório elástico e que pode arrebentar caso sua carga máxima seja excedida.
- Somente faça o famoso “tranco” (puxar o carro quebrado sem a cinta estar esticada) se os pontos de ancoragem de ambos os carros e a cinta suportarem o esforço extra.
- Se for necessário rebocar o veículo com a cinta, lembre-se do veículo quebrado ficar com o motor funcionando, para que ele possa frear (com o auxílio do hidrovácuo), se não ele não conseguirá parar a tempo de evitar um acidente.
Espero que estas dicas ajudem na próxima enrascada eu que vocês se meterem!!!
VALEU ...
Otávio T. de Freitas
